Adeus silício, bem-vindo carbono (parte 1)
Fonte: http://blogs.forumpcs.com.br/cat/2010/04/19/adeus-silicio-bem-vindo-carbono/
Postado as 05:25 - 19/04/2010 - Por Carlos Alberto Teixeira.
Categorias: Computadores, Processadores, Servidores.
Silício é do que é feita a areia, e é usado também para fabricar vidro. Este elemento, aliás, tem sido o grande vilão da aviação comercial na Europa nos últimos dias, pois é o principal constituinte da poeira expelida pelo vulcão islandês Eyjafjallajökull (nome medonho que, segundo um amigo meu islandês, pronuncia-se “êia-fiátla-iêkutl”), cujo silício pode entrar nas turbinas de uma aeronave, derreter e destruir os mecanismos, depositando no metal uma fina camada parecida com vidro.
No caso da eletrônica, a principal aplicação do silício é na fabricação de semicondutor es, materiais que têm um comportamento entre o condutor e o isolante. Para produzi-los, pega-se o silício puro e introduz-se nele átomos de impurezas, num processo conhecido como ” dopagem “. Esses átomos intrusos podem ser de elementos como arsênio, boro, fósforo e gálio, entre outros.
Esse controle sobre a condutividade do silício dopado é necessário para produzir componentes de suma importância na indústria eletrônica, tais como transistores, circuitos integrados, células solares, microprocessadores e outras peças de alta tecnologia. Um ramo tecnológico chamado “fotônica de silício”, por exemplo, dedica-se a produzir guias de onda capazes de conduzir luz coerente ao longo de circuitos — um processo denominado ” laser Raman “. Outra aplicação do silício é em sua forma hidrogenada amorfa (sem forma), na produção de aplicações eletrônicas de baixo custo e grande área, como telas LCD e células solares de filme fino.
O que vemos, então, na atualidade, é que o silício é o rei da cocada preta , quando o assunto é eletrônica digital. Contudo, correndo por fora, vem despontando um outro elemento químico que é uma grande promessa como substituto do silício nesse campo — o carbono. Mas, espera aí. Para quê precisamos de um substituto? Resposta: estamos chegando perto do limite físico do silício, que cada vez mais estamos forçando com a miniaturização dos circuitos, o afinamento das trilhas condutoras dentro dos chips e a demanda por menor consumo elétrico. Em suma, nossa ganância tecnológica está aos poucos aposentando o bom e velho silício.
Dentre as tecnologias do carbono, as do diamante são provavelmente as mais próximas de entrar no mercado no presente momento, considerando que os trabalhos científicos e experimentais com diamantes nessa área já estão acontecendo há mais de 15 anos. Para quem não se lembra, o diamante é feito de átomos carbono arranjados em uma estrutura cúbica muito sólida, que lhe confere o título de material mais duro da Natureza. As outras estruturas atômicas envolvendo carbono ainda estão muito atrás do diamante em termos de proximidade de comercialização em aplicações tecnológicas. Mas, que outras estruturas são essas?
E, caindo para a dimensão zero — o ponto — temos as esferas carbônicas com 60 átomos desse elemento, e que são chamadas fulerenos. Elas podem significar a resposta à incapacidade do silício em atingir supercondutividade em altas temperaturas. Apenas lembrando, supercondutividade é quando um elemento apresenta resistência zero à passagem de corrente elétrica. Amostras compactadas de fulerenos intercalados com átomos de metais alcalinos apresentam supercondutividade a 38º Kelvin, o que equivale a-235,15º C.
Nesse ponto, o leitor achará estranho considerar 38º Kelvin uma alta temperatura. Acontece que esse conceito é muito relativo, quando se trata de supercondutividade. Qualquer coisa mais quente do que 30º K já é tida como alta temperatura sob essa ótica, especialmente se tal medida se aproximar dos 77º K, que é temperatura do ponto de ebulição do nitrogênio líquido, material relativamente barato de se obter.
Empresas de tecnologia de ponta estão unindo esforços nessa área. Foi o que aconteceu em 2008 com a Nantero e a SVTC , que firmaram parceria para oferecer o primeiro serviço de forja para desenvolvimento de filmes finos de nanotubos de carbono.Quem está gostando muito disso são os fabricantes de chips, que pretendem integrar filmes de nanotubos em interconexões de alto desempenho em circuitos CMOS comerciais. As aplicações incluem células solares, LEDs, sensores, MEMS e outros dispositivos baseados em semicondutores. O problema é que o consórcio de empresas ainda está tendo dificuldades em encontrar clientes que queiram comercializar os dispositivos fabricados com essa técnica.
Para termos uma referência, tendo em vista a integração de dispositivos dentro de chips CMOS abaixo de 22 nanômetros, por exemplo, ainda faltam cerca de cinco anos antes que os pioneiros do mercado consigam comercializar nanotubos de carbono à altura. Se bem que esse material já está sendo produzido em massa por empresas especializadas como a DuPont, e já apareceram no mercado como camadas depositadas em substratos de plástico flexível por gigantes de indústria, como a NEC.
Diamantes
podem ser duros, mas agregados amorfos de fulereno são ainda mais. Uma
medida chamada “módulo de compressibilidade isotérmica” tem o valor de
442 GPa (Gigapascals) para o diamante, e de 491 Gpa para o fulereno
amorfo. O problema é que fulerenos não são encontrados originalmente na
Natureza e produzi-los ainda é caro. No entanto, depois da “Idade do
Diamante” na eletrônica, certamente veremos surgir a “Idade dos
Fulerenos”, quando estes dominarão a ciência dos materiais. Mas isso
será coisa para nossos filhos ou talvez netos verem, não nós. Na semana que vem continuarei no tema, apresentando os novos e promissores horizontes que se abrem com essa formidável tecnologia que decerto revolucionará o desempenho dos dispositivos eletrônicos em breve.












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